Introdução



O fim da Segunda Guerra marcou o inicio do período da guerra fria, que duraria até a dissolução da União Soviética, em 1991. Em maio de 1949, a União Soviética demonstrou ter armas nucleares. Por medo da destruição mutua, os Estados Unidos e a União Soviética, as duas super potencias que emergiam da segunda guerra evitaram um confronto aberto. Mas adotaram posições antagónicas, em conflitos armados entre países periféricos, como a Guerra do Vietnã (1955 – 1975)
A guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial.
Como todos os conflitos, foi apenas mais um com motivos banais e causas inúteis. Nunca houve um vencedor, como é estampado em livros. Uma guerra sempre gera destruição, morte e miséria, tanto para o lado derrotado como para os ditos “vencedores”



Rayane Souza Dieguez

A guerra do Vietnã

Laos, Vietnã e Camboja faziam parte de uma região conhecida como Indochina. Estavam sobre o domínio francês e queriam a independência.
Para entender melhor o conflito é preciso saber que durante a Segunda Guerra, o Japão invadiu e dominou esta região. Com o objetivo de combater os orientais, os vietnamitas, liderados por Ho Chi Minh (líder revolucionário), se reuniram e formaram a Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã (ligada ao partido comunista).
Os primeiros conflitos ocorreram em 1941, ainda durante a Segunda Grande Guerra.
Quando esta terminou, começou o processo de descolonização, que originou uma luta entre tropas francesas e guerrilheiros do Viet Minh (Liga para a Independência do Vietnã).
Derrotados, os franceses tiveram que aceitar a independência.
Em 1954, a Conferência de Genebra (convocada para negociar a paz) reconheceu a Independência do Camboja, Laos e Vietnã.
Outra medida tomada estabeleceu que o Vietnã ficaria dividido em:
- Vietnã do Norte: socialista governado por Ho Chin Minh
- Vietnã do Sul: capitalista governado por Ngo Dinh-Diem
Essa divisão estaria valendo até as eleições para unificação do país, em 1956.
Em 1955, Ngo Diem liderou um golpe militar tornando-se ditador. Diem cancelou as eleições, proclamou a Independência do Sul, brigou com os budistas, perseguiu nacionalistas e comunistas e seu governo foi marcado pela corrupção. Os americanos o apoiaram, porque estavam convencidos de que os nacionalistas e comunistas de Ho Chi Minh ganhariam as eleições e isso não era bom; pois se os comunistas ganhassem, acabariam influenciando outras nações a segui-los (“Teoria de Dominó”).
Os EUA passaram a colaborar com o Vietnã do Sul enviando armas, dinheiro e conselheiros militares.
Tudo isso fez com que surgissem os movimentos de oposição: Frente Nacional de Libertação (apoiados pelo Vietnã do Norte) juntamente com o seu exército Vietcong.
Apoiados pelos americanos e suas armas poderosas os sul-vietnamitas atacaram por 10 anos o norte.
Porém, depois que algumas embarcações americanas foram bombardeadas no Golfo de Tonquim, o presidente Lindon B. Johnson ordenou bombardeios de represália contra o Vietnã do Norte. Esse fato marcou a entrada dos EUA na guerra (1965).
Em 1968, as tropas do norte e os vietcongs fizeram a chamada Ofensiva do Tet, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Isso fez com que os americanos sofressem sérias derrotas.
A guerra continuava e os americanos não estavam muito felizes. Várias manifestações foram realizadas contra a participação dos EUA na guerra.
Em 1972, durante o governo do presidente Nixon, os EUA bombardearam a região de Laos e Camboja utilizando, inclusive, armas químicas, mas não adiantou, pois os guerrilheiros continuavam lutando.
Eles (guerrilheiros) se saíram melhor, principalmente pelas vantagens geográficas, já que conheciam bem a região.
Os americanos se retiraram do conflito em 1973; porém, a guerra só foi encerrada de fato em 30/04/1975, pois ainda havia alguns conflitos contra o norte.
Em 1976, o Vietnã se reunificou e passou a se chamar República Socialista do Vietnã.
A Guerra do Vietnã, como já foi dito no início deste texto, é considerado um dos conflitos mais violentos do século XX.
Durante todo o desenrolar da guerra, os meios de comunicação do mundo inteiro divulgaram a violência e intensidade do conflito, além de falarem sobre o mau desempenho dos americanos, que investiram bilhões. Foi nesta guerra que os helicópteros foram usados pela primeira vez.
Como em toda guerra, não existem vencedores, somente vítimas. Calcula-se que milhões de pessoas (civis e militares) morreram.

Guerra inspira músicas de protesto

Se as razões de uma guerra nem sempre são conhecidas ou, quando são, ninguém sabe se o motivo é autêntico ou só uma fachada, pelo menos para alguma coisa tudo isso serve. Historicamente, guerras servem de inspiração para músicas que acabam permanecendo através dos tempos, como é o caso de "Blowin´In The Wind", de Bob Dylan, e "Imagine", de John Lennon, ambas protestando contra a guerra do Vietnã.


Soprando No Vento - Blowin´In The Wind
Bob Dylan
 
Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar,
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar,
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir,
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça,
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim e quantas orelhas precisará ter um homem,
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim e quantas mortes ele causará até ele saber
Que muitas pessoas morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento



Imagine
  John Lennon
Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo, então, será como um só



video

O fracasso dos Estados Unidos

A guerra do Vietnã foi ganha pelos comunistas. Com um detalhe, ganharam com ajuda de poderosos aliados dentro mesmo dos EUA. A grande midia esquerdista e as grandes passeatas pacifistas em prol da "paz". Enfim a guerra midiática que mostrou o soldado americano como vilão e não como um combatente que lutava pela liberdade de um povo ameaçado pela mais cruel ditatura jamais inventada, o comunismo. Do ponto de vista militar a guerra estava ganha e os comunistas derrotados. Mas por conta da pressão midiática o Presidente Lindon Jonhson retirou as tropas e os comunas fizeram a festa, não só no Vietnam mas tambem no Cambodja. Mataram mais gente que a guerra tinha matado. Só no Camboja o Kmer Vermelho matou quase metade da população. Deram a sua parcela de contribuição para mais de 100 milhões de mortos produzidos pelo comunismo. Bem mais que 500 anos de guerra por varios motivos.

Manifestação contra guerra do Vietna, Virginia, EUA 1967

O EUA tinham superioridade bélica mas foram derrotados pela superioridade desonesta da mídia a serviço do ideal utópico socialista. Estranho não é? Socialistas no país mais capitalista do mundo. Aqui na Ilha da Fantasia (Brasil) tem gente que pensa que não existe.

A imagem que emocionou o mundo

A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens do século XX. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim é embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO.
A Guerra do Vietnã foi uma das maiores tragédias da história do século XX e, sem dúvida, o maior fracasso militar da história dos Estados Unidos, provocando a morte de 58 mil americanos e ferimento em mais de 300 mil. No lado vietnamita, foram mais de 3 milhões de mortos e outros tantos de feridos.


Foi sem dúvidas, uma das guerras mais cruéis do "breve século XX", sendo por muitos analistas, considerada um verdadeiro holocausto, como se pode verificar nas cenas do filme Corações e Mentes. Foi ainda a primeira guerra com cobertura televisiva maciça, o que contribuiu para uma maior mobilização da opinião pública americana contra o conflito

O "quase" envolvimento militar do Brasil na Guerra do Vietnã


Um dos acontecimentos mais expressivos das décadas de 60 e 70 do século XX
foi a Guerra do Vietnã na sua chamada “fase americana” (1964-1973). Os Estados
Unidos enviaram tropas para a região na sua luta contra o comunismo, porém sua
máquina de guerra “atolou” contra o grupo de guerrilheiros comunistas locais
denominado “Vietcong”. A repercussão da guerra foi mundial – tanto que quase
envolveu o Brasil, um país muito longe do Sudeste Asiático.

Regime Militar Brasileiro e a Guerra do Vietnã 

No dia 6, a posição do governo brasileiro ganhava primeira página na Folha de
São Paulo: o Brasil era solidário aos Estados Unidos e contrário à agressão nortevietnamita.
Como era uma intervenção para auxiliar um país que estava sendo atacado
pelo comunismo – o mesmo motivo que os militares haviam alegado para justificar sua
ascensão ao poder em 1964 –, a posição do governo brasileiro de apoiar os Estados
Unidos foi bastante lógica.
Desde as primeiras notícias do agravamento da crise no Sudeste Asiático, o
governo militar brasileiro mostrava-se muito preocupado com a situação, desejando um
rápido desfecho, de preferência com os resultados favoráveis aos norte-americanos. O
risco não era apenas de um eventual exemplo a grupos de oposição, que ainda poderiam
exercer alguma reação dentro do Brasil naquele momento, mas também a pressão dos
seus próprios aliados, os Estados Unidos, que queriam a presença de tropas brasileiras
no conflito vietnamita.
O presidente Castelo Branco era informado sobre a maioria das operações que
eram efetuadas no Vietnã pelo próprio Johnson, por meio do embaixador Lincoln
Gordon. Numa carta de Johnson para Castelo Branco (datada de 25/07/65), o então
Presidente dos Estados Unidos deixou clara a sua intenção:


"Fui informado de que o governo brasileiro já providenciou o envio de café e
medicamentos para o Vietnã, através da Cruz Vermelha Brasileira, e tenho certeza de
que esses artigos são muito necessários àquele país. Em vista das atuais circunstâncias,
porém, parece que se fará necessária ajuda adicional, e estou muito interessado em
conhecer seu ponto de vista em relação a que tipo de assistência adicional o governo
brasileiro talvez pudesse fornecer."



O governo norte-americano condicionou um empréstimo ao Brasil, no valor de
150 milhões de dólares, à presença de tropas brasileiras no Vietnã.
A “Diretriz particular e íntima para o ministro Juraci Magalhães”, ministro do
Exterior na época, comentando o pedido norte-americano, afirmou:

"O caso do Vietnã está repercutindo em cheio sobre o Governo do Brasil. O embaixador
Gordon, em sua última conferência comigo, antes do Natal, me transmitiu o pedido do
presidente Johnson para o nosso país colaborar no esforço norte-americano. (...) Sugeriu
então que enviássemos meios de guerra (tropas terrestres, navios ou aviões), médicos ou
mesmo enfermeiros."

Castelo Branco nunca cogitou a idéia de mandar tropas ao Vietnã, sendo esta
política justificada pela lógica dos preceitos da Escola Superior de Guerra. Por esses
conceitos, o Brasil deveria defender uma área específica, surgindo daí a teoria dos
Círculos Concêntricos ou cones, ou seja, áreas estratégicas delimitadas que o Brasil
deveria intervir em casos de emergência. O Brasil teria de se preocupar com o “círculo
concêntrico” do Atlântico Sul, intervindo (quer por alianças, quer por pressão militar)
nos instáveis vizinhos Paraguai, Bolívia, Venezuela, Uruguai e na sempre rival
Argentina; o “cone” da margem do Atlântico, preocupando-se com o litoral africano,
que assistia a inúmeras lutas de caráter anticolonial (muitas delas defendendo a
revolução socialista); e o “cone” norte, barrando a influência da Revolução Cubana (o
que explicaria a presença de tropas brasileiras na República Dominicana, em 1965). O
papel dos Estados Unidos seria o de auxiliar todos os lugares do mundo onde existisse
ameaça comunista, como estavam fazendo no Sudeste Asiático. Dentro dessa lógica, a
presença brasileira no Vietnã do Sul seria desnecessária, já que o país já estava
cumprindo o seu papel dentro do continente americano.
O governo de Castelo Branco deu apoio ao governo de Lyndon Johnson e ao
governo do Vietnã do Sul exportando café e enviando ajuda médica através da Cruz
Vermelha do Brasil. Apesar do auxílio brasileiro limitar-se apenas ao envio de café e de
medicamentos, os sul-vietnamitas colocaram o nome do país num monumento, com
nomes de todos os países que ajudavam o Vietnã do Sul.
Não seria a última vez que o governo dos Estados Unidos iria propor que o
Brasil se envolvesse diretamente no Vietnã: Henry Kissinger, assessor para assuntos de
Segurança Nacional, numa carta escrita em nome do presidente Richard Nixon (1969-
1974) e endereçada ao presidente Médici, datada de 16 de julho de 1973, solicitava que
o Brasil substituísse o Canadá na comissão de quatro países que tentariam monitorar o tratado de paz celebrado pelas conversações de Paris, assinado em 27 de janeiro do
mesmo ano (tratado que deixou a situação igual ao instável acordo de Genebra de
1954), pois “o governo é ideologicamente sólido e o país tem experiência
internacional”. O governo Médici recusou a oferta – o Vietnã era um problema
“espinhoso” demais para o regime militar brasileiro participar.